domingo, 12 de abril de 2009

Por uma escola mais digna (III)

Este é o último artigo de uma série de três que apontam o que está errado no ensino. Já foram abordados os erros dos pais e dos professores. Resta falar sobre os alunos. Será que eles têm alguma culpa nisso? Não são eles o objeto da educação? Segundo Paulo Freire, essa é a primeira afirmação equivocada, pois os estudantes devem ser o sujeito da educação. A educação é direcionada a eles, sim, mas não pode ser recebida de forma passiva. É vital que haja reflexão e crítica. Assim, necessitamos aprender qual é a forma correta de estudar. Para isso, reflitamos sobre alguns tópicos.

Por que estudar? Estudo recente feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) revela que mais de 70% dos jovens brasileiros não têm nível de educação para conseguir um trabalho bem remunerado. Portanto, a primeira resposta é para conseguir um bom emprego. Por outro lado, vemos que esse bom emprego não está relacionado com a força bruta do ser humano, mas sim com a inteligência, com o uso do intelecto. Então, a segunda resposta é para ficar mais inteligente.

Quando estudar? Para respondermos a essa pergunta, antes precisamos entrar em outro assunto que é a noite de sono. De acordo com o professor Pierluigi Piazzi e com uma pesquisa publicada na revista Veja (21/11/2007), é justamente durante o sono que nós armazenamos novos conhecimentos. Ou seja, ninguém aprende algo acordado; é preciso dormir para o novo conhecimento se solidificar em nossas mentes. O problema é que nem sempre gravamos o que queremos. Normalmente, ficam registrados de forma nítida na memória fatos que envolvem emoções fortes ou que são repetidos. Portanto, uma aula qualquer será fatalmente esquecida, se o aluno não se envolver emocionalmente com ela ou ficar repetindo várias vezes o conteúdo. Detalhe, essa repetição não deve ser necessariamente oral, como muitos fazem para decorar algo. O que está sendo abordado aqui é o aprendizado, não a decoreba. Outro ponto importante é a duração do sono. O ideal para adolescentes, segundo pesquisadores da Universidade Cleveland, nos Estados Unidos, é 9 horas. Menos disso pode causar obesidade, problemas de crescimento, déficit psicomotor, alteração de humor e, a grande novidade apresentada por eles, hipertensão. Voltando à pergunta inicial, a resposta é devemos estudar o dia inteiro. O primeiro passo é ter qualidade de sono: dormir cedo para acordar cedo. O segundo é ir à escola de manhã e participar ativamente das aulas. O terceiro e mais importante é revisar – estudar – o conteúdo dado de manhã na parte da tarde, isto é, deve haver uma repetição das aulas. Os que frequentam a escola de tarde devem estudar à noite. E quem frequenta à noite precisa dormir uns 40 minutos mais tarde. Estudar na véspera ou momentos antes da prova não tem valia. Você pode até tirar uma nota boa, mas certamente não aprenderá.

Quanto estudar? Ou qual deve ser a duração do estudo? Isso varia de pessoa para pessoa. Uns precisam apenas de duas horas diárias, outros mais. No entanto, o que precisa ser esclarecido é que se pode estudar o dia inteiro, mas o ideal é que, para cada 30 minutos de estudo concentrado, se faça um intervalo de 10 ou 15. O que fazer durante o intervalo? As atividades mais indicadas são: fazer exercícios físicos, ler por prazer ou diversão, tocar instrumentos, ouvir música e fazer palavras cruzadas. As menos indicadas são: ver TV (com exceção de poucos programas) e usar computador. A dica é trabalhar as outras áreas do cérebro para que, depois, possa retornar ao estudo concentrado.

Como estudar? Um velho ditado chinês diz: “Se eu escuto, esqueço. Se eu vejo, entendo. Se eu faço, aprendo”. Com mil caracteres na escrita deles, só assim mesmo para aprender. A conclusão é que devemos praticar as matérias: resolver exercícios, fazer resumos e explicar o conteúdo para alguém. Dessa maneira e com a repetição necessária, aprenderemos qualquer coisa.

Por último, não podemos deixar de frisar o valor e os benefícios da leitura, já conhecidos por todos. Além de ser o melhor exercício para o cérebro, pois tem o poder de torná-lo mais inteligente, traz conhecimento de mundo. Nenhuma cultura é inútil. E uma vez adquirida, ninguém pode lhe tirar.

Minha mensagem final é: leia! Leia como uma criança que acabou de ser alfabetizada: sentido prazer e ficando feliz. Leia tudo o que tiver vontade.

Um comentário:

Byluleoa disse...

Realmente ótimos conselhos! Na minha opinião o que falta é sensibilidade do professor de envolver este aluno. Pois, como você mesmo disse o que se torna significativo é aquilo que nos envolve afetivamente. Creio que este seja o caminho! Quanto a parcelas de culpa, a balança pende para todos os lados, mas o bom é ver que pessoas como você buscam respostas concretas que façam a diferença!