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sábado, 23 de março de 2013

Sobre tradução

Para Borges, toda tradução tem vida autônoma, sendo a literal uma prova de infidelidade suprema ao autor ("por dar somente o sentido e não o essencial, que é a linguagem", observa Augusto dos Campos).


O Estado de S. Paulo, 16 de março de 2013, página S3

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Polêmica



Foi estabelecida como regra principal deste blog a moderação de comentários. Para quem não se lembra, está escrito aqui. Assim, por conter um palavrão, um dos últimos comentários não foi postado. Todavia, considerei oportuno reproduzi-lo editado nesta postagem a fim de discutir a ideia em pauta. Jorge Garcéz escreveu a seguinte crítica ao texto Exame, vexame:
Amiguinho autor, se você tivesse visto a foto em alta resolução, veria que no cartaz da mocinha consta, sim, vírgula e aspas.
O "mais" foi escrito entre aspas, o que demonstra intencionalidade. Você deveria deixar se ser um direitista e passar a prestar mais atenção nas coisas. 
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que o erro de digitação não foi meu. Foi o Jorge que escreveu “deixar se ser” em vez de “deixar DE ser”. Eu apenas ocultei a palavra de baixo calão.
Quanto à crítica de que devo prestar mais atenção nas coisas, eu poderia rebater simplesmente afirmando que a foto sintetiza nossa educação. Ela mostra um exame falho e um erro que nossos estudantes corriqueiramente cometem. Dessa forma, isentar-me-ia — num bom português — da discussão “Escreveram errado no cartaz ou não?”. Nessa linha de raciocínio, eu poderia acrescentar que os protestantes da foto não são necessariamente estudantes nem autores dos cartazes.
Contudo, isto me traz à memória uma foto e uma citação. O grande revisor Thiago Martins ensinou: “Não adianta o negócio estar certo e quem ler suspeitar que está errado. Não basta estar certo, tem de parecer certo”. A foto é esta:

Assim, perguntamos: Se a intenção é mostrar que escreveu errado, por que não usar aspas e vírgula em tamanho proporcional às letras?
Por fim, Jorge deu-me um rótulo que até então eu não sabia que tinha. Ele deve ter deduzido que, sendo contra o governo, sou direitista. Será que não passou pela cabeça dele que sou um professor inconformado com o sistema educacional? Alguém que tenta, com todas as forças, melhorar a educação? Além disso, não me lembro de ter tomado partido ao escrever este blog. Já defendi, alguma vez, a direita ou a esquerda? Ou pior ainda, já defendi algum político? É perturbadora a constatação de que por esta causa já encontrei (ou fiz?) mais inimigos que aliados. Todavia, aviso: se não querem melhorar nem ajudar a educação, que, ao menos, não sirvam de obstáculo.
Por esta causa, para finalizar, deixo o e-mail que o professor Henrique Rosa me enviou:
Isso esclarece duas coisas.
Em momento algum, você criticou explicitamente algum partido ou ideologia política. Apenas se posicionou diante de um assunto polêmico, que, aliás, já deu muito pano pra manga nos últimos três anos, em virtude de sucessivos e absurdos escândalos.
Notamos que, para qualificá-lo de tal maneira, Jorge deve ser de "esquerda" (aliás, o que seria esquerda ou direita hoje?). Sendo assim, já que a maioria dos que se proclamam "esquerdistas" são favoráveis ao governo federal, ele deve ser um ávido apoiador da situação e suas políticas educacionais. Esse sujeito, então, considera que a educação não vai tão mal assim. Muito pelo contrário, os alunos sabem escrever tão bem, a ponto de fazer um trocadilho irônico com a conjunção "mas", para reforçar o argumento relacionado ao protesto.
Pois bem, supondo que esse postulado seja verdadeiro (e, no caso da foto, deve ser mesmo: em alta resolução, verifica-se, de fato, a presença das aspas — quase imperceptíveis) e ele sendo portador da razão e fruto dessa nobre educação oferecida por nosso Estado, verificamos que há uma incoerência em seu discurso. O distinto cidadão não conseguiu simplesmente interpretar a linha de raciocínio do texto, que apenas destacava o erro gramatical e comentava a óbvia ineficiência do exame, e já levou a crítica estritamente para o campo político. Sabemos que ensino de baixa qualidade gera dificuldades de uma correta interpretação de texto dissertativo.
Ou é somente uma visceral estupidez e mediocridade da parte dele, que, apenas lendo uma pequena nota em seu blog, sem conhecer nada da sua vida, sua personalidade, sua ideologia e seus princípios, tomou liberdade para estereotipá-lo? Se for isso, não tem motivo para haver espanto. Essa é uma característica própria de alguns "esquerdistas": acusam e ofendem muito, mas argumentam pouco (sim, acabei de estereotipá-lo também, por puro sarcasmo).

sábado, 29 de outubro de 2011

Exame, vexame



Esta foto de Emmanuel Cunha (O Estado de S. Paulo) evidencia a precária educação brasileira. Primeiro, por causa do Enem, que é vestibular e avaliação do sistema educacional, mas que, na prática, mostra-se imperfeito: não avalia nem seleciona. Sobram planejamentos e ideias, mas faltam competência e idoneidade aos profissionais envolvidos com o exame. Segundo, porque a foto mostra nitidamente que nossos estudantes não têm uma boa formação. Falta-lhes intimidade com a língua. Observe que eles não sabem a diferença entre “mas” (conjunção adversativa) e “mais” (advérbio ou pronome) e escrevem “O Enem é circo ‘mais’ os alunos não são palhaços!”. É claro que faltou também uma vírgula para separar as orações coordenadas, mas isso parece ser de menos.

sábado, 17 de setembro de 2011

Dilma ignora analfabetos


Pelo visto, a presidente Dilma não está preocupada com a educação. Será que ela não percebe que o País seria muito melhor se tivesse uma educação de primeira? Confira a matéria do O Estado de S. Paulo: Erradicação do analfabetismo some do plano plurianual de metas de Dilma.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comparação

“Aos seus pés, a lua se refletia numa poça como uma carta amassada que alguma amante ressentida houvesse jogado no chão.”

Félix J. Palma

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sobre estrangeirismo (II)

Se aquela moda de banir o estrangeirismo pegasse, será que todas as palavras inglesas e francesas presentes na obra “O Primo Basílio” (de 1878 — isso mesmo, o português recebe influência dessas línguas há muito, muito tempo. Não é a última moda.) seriam postas de castigo? Alguém em sã consciência alfabetizada enfearia, escarneceria e descaracterizaria uma obra-prima? Certamente não. Fim de conversa.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Concurso de fotografias (2)

Votação encerrada. Agradeço muito a todos que me ajudaram. O resultado das 25 fotos mais votadas de cada categoria sai dia 10 de fevereiro.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Concurso de fotografias

Olá, leitor.

Estou participando com seis fotos do concurso Foto Talentos e gostaria de pedir que você me ajudasse votando nelas. A fase de votação vai até dia 31 de janeiro de 2011, e você pode votar todos os dias. Os links são:

Ceia do Senhor

Ceia: nem só de pão o homem viverá

Brincando na rua

Roda pião: o mundo parou num instante

Impressão: reflexo da ponte

Impressão: o mundo numa gota

Obrigado e forte abraço.

domingo, 29 de agosto de 2010

Quando a Educação vai mal, tudo vai mal

"Infelizmente, quando as novas gerações do samba querem preservar o gênero, lembrando de nomes antigos, pecam por não buscar uma renovação. Isso ocorre porque muitos sambistas vêm do proletariado e da favela, estudam em escola pública e, como há uma queda na qualidade de ensino, surgem essas letras medíocres que tem por aí. Totalmente diferente do que acontecia com os sambistas antigos, que compunham letras muito mais ricas e elaboradas, fruto de uma época em que a escola pública ainda funcionava."

Dudu Nobre

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Denifição de ética

Ética é a busca da felicidade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Campanha do Ministério da Educação

Lesen gefährdet die Dummheit

A leitura é prejudicial à ignorância.

Propaganda da livraria Fischer.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre o teatro

O queridíssimo e saudoso Paulo Autran, em entrevista, revelou:

“Teatro é principalmente texto. Gostar de uma boa peça é gostar de um bom texto teatral. Sou um amante da palavra. Ela é essencial para o teatro. Se há um intérprete, um texto e alguém vendo, isso é teatro.

O teatro é uma das formas de elevar o nível cultural do brasileiro. Ele recebe uma quantidade de informações que dificilmente receberá vendo TV ou um filme. Quanto melhor foi o nível cultural, mais ele gostará de teatro.

Nunca parei de ler, leio toda noite. Mas há atores que são absolutamente intuitivos, sem cultura nenhuma. Mesmo sem entender totalmente o personagem que fazem, têm talento.

Cultura não faz mal a ninguém. Tendo mais cultura, há como aprofundar mais o estudo do personagem. O ator pode encontrar maneiras de o personagem ser melhor compreendido pela plateia.

Uma peça é capaz de exibir uma quantidade tão grande de informações e um tão intenso manuseio da palavra, que você não encontra paralelo nem no cinema nem na TV, talvez só na palavra escrita, na literatura.”

Eduardo Tolentino de Araújo, diretor do grupo Tapa, acredita que o teatro brasileiro vive uma crise ligada à dimensão do ensino do idioma:

“Um país que não lê, em que se passam os alunos de ano para não abalar a estima deles, como esperar uma ótima dramaturgia?

Na escola de hoje nada tem importância. Temos um ensino complacente. Continuamos sendo o país do bacharelado, do anel no dedo, e isso se reflete no teatro. Temos uma dramaturgia de baixíssimo nível, apesar das exceções. Deveríamos ter uma média boa na dramaturgia, que nos servisse, como há uma média muito boa no futebol, de onde nasceu um Pelé.”

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Jornal do Estudante

É com extrema alegria, orgulho e admiração que publico o jornal que minha esposa, Camila, fez, em parceria com a professora Karina, com os alunos do 3º ano da escola EMEIF Célio Siqueira.
Este jornal é o fruto do projeto desenvolvido no decorrer deste ano letivo. Por ele, já podemos medir a qualidade deste trabalho.
Aproveito também para agradecer mais uma vez os patrocinadores.
Boa leitura

Clique na imagem para ampliá-la.




Quem quiser baixar o jornal inteiro em formato PDF clique aqui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Haver menos analfabetos no país é sinal de boa Educação?

Nem sempre. Estudo divulgado pelo Ibope e produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e a Ação Educativa avaliou os brasileiros entre 15 e 64 anos e indica que o analfabetismo caiu de 12% para 7% em 8 anos e também que a porcentagem de crianças de 4 a 17 anos que frequentam a escola subiu. Em 1999, eram 85%. Já em 2008, eram 92%. A notícia é boa, mas o mesmo estudo mostra que mais da metade (54% para ser exato) dos que cursaram da 1ª à 4ª série é analfabeta funcional.

Então, é para comemorar?

domingo, 25 de outubro de 2009

Perguntaram-me por que escolhi minha profissão

Motivo: por causa dos pontos positivos

Objetivo: para melhorar os pontos negativos

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Filhos folgados, pais sufocados

É com a célebre frase do psiquiatra e educador Içami Tiba que trago o seguinte alarme:

Mais de 1,2 milhão de jovens estão ociosos no Brasil, segundo o último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Representando 5,37 % dos brasileiros entre 18 e 24 anos, eles não trabalham, não estudam e não ajudam em casa. O que fazem? Divertem-se em pista de skate, em lan houses ou em computadores em casa, em praças, etc.
Em entrevista ao Estado de S. Paulo, um desses jovens ociosos diz que o que lhe faltou foi sorte: “Acho que é sorte. Tem gente que não tem ‘estudo’ e é empresário”. Outra menina afirma que “não ia para a escola porque queria curtir a vida na rua”. E alguns revelam que foram expulsos de casa.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Em 1 ano, analfabetismo cresce 3% em São Paulo, diz IBGE

Clique na imagem e confira o número de analfabetos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alunos se preocupam mais com localização e preço do que com qualidade


É o que podemos entender com base neste gráfico. As classes C e D querem o diploma apenas, não buscam o conhecimento. Veem a escola como um mal necessário para aumentar o acesso ao mercado. E isso reflete na sala de aula. O aluno não vai se empenhar, vai levar na flauta, afinal vai fazer qualquer faculdade.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Buenos Aires ganha uma escultura da Mafalda

A escultura de Mafalda

Mafalda e Pablo Irrgang

Inauguração


Mafalda e Quino


Já que coloquei algumas tirinhas desta graciosa criança, vale a pena dar esta notícia.
A cidade de Buenos Aires homenageou o desenhista Joaquín Salvador Lavado, o Quino, por meio de uma escultura de Mafalda – seu mais famoso personagem – que foi inaugurada neste domingo (30/08/2009) na entrada do prédio do bairro de San Telmo, onde seu criador viveu durante anos.
A escultura, que tem o tamanho natural de uma menina da idade de Mafalda, é obra de Pablo Irrgang.