segunda-feira, 4 de junho de 2012

Concordância


Você consegue achar o erro? É de concordância.



Está escrito: “Ele não conseguem me dobrar”. A regra geral é concordar o sujeito com o verbo. Assim, poderíamos escrever “eles não conseguem” ou “ele não consegue”.

sábado, 19 de maio de 2012

Redação de assisense está entre as melhores da Fuvest


Todos os anos, a Fuvest elege as melhores redações dos vestibulandos e as divulga para que sirvam de exemplo aos alunos que prestarão os próximos vestibulares.

Na última edição do vestibular, a redação da assisense Carolina Morais Veloso de Mattos figura entre as 29 melhores. Atualmente, ela cursa o primeiro semestre de Engenharia de Materiais da USP – São Carlos.


Abaixo estão a redação elogiada e o comentário do professor Vinicius Tomazinho.

O título é apropriado e revela não só a temática da redação, como também a posição adotada pela candidata. O adjetivo “triste” indica que a autora não concorda com o aborto político. A crítica fica nítida no segundo parágrafo.

Já no primeiro parágrafo, podemos constatar que a candidata é bem preparada e tem um bom repertório. Pelo fato de citar a revista Times e a Primavera Árabe, notamos que, além de bem informada, ela tem a capacidade de relacionar notícias e desenvolver um raciocínio lógico.

O terceiro parágrafo evidencia uma característica que toda redação de vestibular deveria ter: a candidata mostra que compreendeu os textos da coletânea e fez uso eficiente de um deles. Tal característica somada à consistência temática, à adequação ao tipo de texto e ao perfeito desenvolvimento e conclusão garantiu não apenas uma boa nota, mas também o privilégio de fazer parte do rol das melhores redações da Fuvest de 2012.

Quanto aos erros gramaticais, a autora foi quase impecável. Houve um deslize na acentuação de ínterim — proparoxítona, o que é perdoável, devido ao grande número de pessoas que pronunciam a palavra de forma errada. Antes da última reforma ortográfica, o não, quando empregado como prefixo, se ligava à palavra seguinte com hífen. Contudo, essa regra não está mais vigente. Portanto, o correto é “não políticas”. O último deslize diz respeito a este enunciado: “ser que participa e se identifica a um senso coletivo”. É preciso muito cuidado ao ligar dois verbos que têm o mesmo complemento. Tal construção só é permitida se a regência verbal for a mesma. Participar e identificar são verbos transitivos indiretos, mas exigem preposições diferentes: de e com, respectivamente, e não a. Assim, deveríamos refazer o período: “ser que participa de um senso coletivo e com o qual se identifica”.


domingo, 13 de maio de 2012

Superlativo e sentido figurado – homenagem às mães




Muitas vezes o grau de um adjetivo, advérbio ou substantivo tem valor figurado. Por exemplo, a frase “aquele jogador bate um bolão” não quer dizer, literalmente, que o jogador joga com uma bola grande ou maior que as outras. Na verdade, foi exaltada a qualidade do esportista.

Na legenda da foto acima, lemos o vocábulo “gravidíssima”, no grau superlativo absoluto sintético (aquele que se forma com o acréscimo do sufixo –íssimo). Pesquisando no dicionário Houaiss, encontramos a seguinte definição para superlativo: “grau do adjetivo ou do advérbio que indica qualidade ou modalidade marcadamente superior ou inferior”. Contudo, notemos que foi usado o adjetivo grávido, o que nos faz perguntar: é possível uma mulher ficar mais grávida? Certamente, não. Portanto, a redatora usou o sentido figurado. Mas com que intenção? De exaltar a beleza ou a gravidez da atriz? Será que é exclusividade de gente famosa ou uma mulher comum poderia ficar “gravidíssima” também?

Por fim, aproveito para homenagear as mamãezíssimas, sem distinção, mas principalmente as especialíssimas Neide, por me trazer ao mundo, e Camila, por me completar. Parabéns pelo seu dia.

sábado, 28 de abril de 2012

1,8 milhão ou milhões?



O problema é recorrente. Esta concordância requer atenção. Só usamos plural a partir do número 2. Mesmo se forem 1.999 gramas, nós escrevemos 1,999 quilo. O mesmo raciocínio se aplica ao milhão. Portanto, 1 milhão, 1,4 milhão, 1,8 milhão, 2 milhões.

sábado, 21 de abril de 2012

Agente ou a gente?



Isso que eu chamo de empresa eficiente. Quem faz o trabalho é um agente especial.

segunda-feira, 26 de março de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Polêmica



Foi estabelecida como regra principal deste blog a moderação de comentários. Para quem não se lembra, está escrito aqui. Assim, por conter um palavrão, um dos últimos comentários não foi postado. Todavia, considerei oportuno reproduzi-lo editado nesta postagem a fim de discutir a ideia em pauta. Jorge Garcéz escreveu a seguinte crítica ao texto Exame, vexame:
Amiguinho autor, se você tivesse visto a foto em alta resolução, veria que no cartaz da mocinha consta, sim, vírgula e aspas.
O "mais" foi escrito entre aspas, o que demonstra intencionalidade. Você deveria deixar se ser um direitista e passar a prestar mais atenção nas coisas. 
Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que o erro de digitação não foi meu. Foi o Jorge que escreveu “deixar se ser” em vez de “deixar DE ser”. Eu apenas ocultei a palavra de baixo calão.
Quanto à crítica de que devo prestar mais atenção nas coisas, eu poderia rebater simplesmente afirmando que a foto sintetiza nossa educação. Ela mostra um exame falho e um erro que nossos estudantes corriqueiramente cometem. Dessa forma, isentar-me-ia — num bom português — da discussão “Escreveram errado no cartaz ou não?”. Nessa linha de raciocínio, eu poderia acrescentar que os protestantes da foto não são necessariamente estudantes nem autores dos cartazes.
Contudo, isto me traz à memória uma foto e uma citação. O grande revisor Thiago Martins ensinou: “Não adianta o negócio estar certo e quem ler suspeitar que está errado. Não basta estar certo, tem de parecer certo”. A foto é esta:

Assim, perguntamos: Se a intenção é mostrar que escreveu errado, por que não usar aspas e vírgula em tamanho proporcional às letras?
Por fim, Jorge deu-me um rótulo que até então eu não sabia que tinha. Ele deve ter deduzido que, sendo contra o governo, sou direitista. Será que não passou pela cabeça dele que sou um professor inconformado com o sistema educacional? Alguém que tenta, com todas as forças, melhorar a educação? Além disso, não me lembro de ter tomado partido ao escrever este blog. Já defendi, alguma vez, a direita ou a esquerda? Ou pior ainda, já defendi algum político? É perturbadora a constatação de que por esta causa já encontrei (ou fiz?) mais inimigos que aliados. Todavia, aviso: se não querem melhorar nem ajudar a educação, que, ao menos, não sirvam de obstáculo.
Por esta causa, para finalizar, deixo o e-mail que o professor Henrique Rosa me enviou:
Isso esclarece duas coisas.
Em momento algum, você criticou explicitamente algum partido ou ideologia política. Apenas se posicionou diante de um assunto polêmico, que, aliás, já deu muito pano pra manga nos últimos três anos, em virtude de sucessivos e absurdos escândalos.
Notamos que, para qualificá-lo de tal maneira, Jorge deve ser de "esquerda" (aliás, o que seria esquerda ou direita hoje?). Sendo assim, já que a maioria dos que se proclamam "esquerdistas" são favoráveis ao governo federal, ele deve ser um ávido apoiador da situação e suas políticas educacionais. Esse sujeito, então, considera que a educação não vai tão mal assim. Muito pelo contrário, os alunos sabem escrever tão bem, a ponto de fazer um trocadilho irônico com a conjunção "mas", para reforçar o argumento relacionado ao protesto.
Pois bem, supondo que esse postulado seja verdadeiro (e, no caso da foto, deve ser mesmo: em alta resolução, verifica-se, de fato, a presença das aspas — quase imperceptíveis) e ele sendo portador da razão e fruto dessa nobre educação oferecida por nosso Estado, verificamos que há uma incoerência em seu discurso. O distinto cidadão não conseguiu simplesmente interpretar a linha de raciocínio do texto, que apenas destacava o erro gramatical e comentava a óbvia ineficiência do exame, e já levou a crítica estritamente para o campo político. Sabemos que ensino de baixa qualidade gera dificuldades de uma correta interpretação de texto dissertativo.
Ou é somente uma visceral estupidez e mediocridade da parte dele, que, apenas lendo uma pequena nota em seu blog, sem conhecer nada da sua vida, sua personalidade, sua ideologia e seus princípios, tomou liberdade para estereotipá-lo? Se for isso, não tem motivo para haver espanto. Essa é uma característica própria de alguns "esquerdistas": acusam e ofendem muito, mas argumentam pouco (sim, acabei de estereotipá-lo também, por puro sarcasmo).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre criatividade


"Medo é uma emoção muito criativa."

Giuseppe Tornatore, defendendo que sempre faz um filme como se fosse a primeira vez que estivesse trabalhando.